sexta-feira, agosto 27

Amy abriu a porta e lhe deu passagem. Agora os dois já estavam novamente na rua, em uma cafeteria modesta, que servia um bolo de chocolate delicioso.Bernardo pediu um pedaço, e assim que ele chegou a mesa, Amy não se conteve e passou o dedo, delicadamente, na cobertura suculenta.
- HEY! - Bernardo a olhou sorrindo, inconformado.
- Desculpe - Amy lambia o dedo.
- Vou deixar passar essa, deve fazer parte do repertório de mulheres que parecem crianças na verdade - Bernardo olhou para os pés balançantes dela e para o modo como ela balançava a cabeça conforme a música, e fez ela perceber que ele estava reparando nisso, então ela se aquetou e disse :
- HAHAHA!Você é muito engraçado!
- Eu sei!
Amy revirou os olhos, outra vez. E então os dois pararam pra prestar atenção na notícia que se passava na televisão do balcão. Era sobre uma mulher que tinha cometido suicídio , por ter sido abandonada pelo marido. Os bombeiros tentaram impedir, mas não adiantou. Amy revirou os olhos, oooouuutra vez, e balançou a cabeça, em sinal de negatividade.
- Que ridícula!
- Ela o amava.
- Ela não sabe nada sobre o amor!
- E você sabe, por acaso ?
Amy só tinha certeza de duas coisas sobre o amor : caso ele exista, não importa com quem você fique, por quem julga a estar apaixonado, amando, também não importa por quanto tempo você fica com uma determinada pessoa e o jeito com que se sente com ela, a pessoa que você realmente ama , nunca é aquela que você julga a amar. Pelo menos não no começo, só no final, pra ser mais interessante e real ou talvez só depois de um tempo, quando você passa a sentir a falta dela e nenhuma outra pessoa se compara a ela, mas você já não pode mais a ter. Ou então, você ama aquela pessoa com que é difícil de estar, tudo sempre colabora para que não aconteça, mas quando acontece é mágico, Ou você pode ficar uma eternidade sem ter contato com a pessoa, ficar com outras , ou até mesmo nunca se lembrar dela, mas no fim, ela é a unica da qual você se lembra.
E a outra coisa que Amy sabia era , que não importa quantos erros se cometa, quantos corações você fere ou de qual modo o seu é ferido, um dia, tudo sempre termina, e termina pra sempre.

terça-feira, agosto 24

- O que você acha de dar uma voltinha por aí comigo ?
- Não com essa roupa.
- Façamos o seguinte : Passamos aonde você mora, você se troca, vamos tomar um café decente, porque afinal, desperdiçamos nosso dinheiro com esses, que a minha camisa e sua pele estão apreciando, então andamos um pouco e depois eu te levo pra casa.
- Acho que posso ir pra casa sozinha, mas obrigada.
- Ok, depois de andarmos por aí, você volta sozinha para casa.
Ele sorriu com o canto dos lábios. Ela sorriu, e em passos tímidos começou a caminhar até a saída da biblioteca.
A noite estava surpreendentemente quente, parecia que Londres nunca tinha estado tão bela. A sincronia era boa, em cada canto.
Amy só olhava pros seus próprios pés , e ao redor, como sempre fazia. Bernardo, só olhava para ela, somente, só-men-te para ela.
- Então - ela finalmente teve coragem pra dizer algo - Você mora por aqui mesmo ? Tenho a impressão de nunca ter te visto antes.
- Recentemente. Eu vim pra cá, faz menos de duas semanas, pro centro, eu quero dizer.
- Então você morava nos lados 'interioranos' de Londres ?
- Digamos que sim , eu era da cidade vizinha, depois me mudei para...o lado interiorano, como você diz, mas cansei, e agora estou aqui.
- Entendo, fincar raízes não é uma coisa boa.
- Exatamente. Nada de fincar raizés, se apegar, e coisa do tipo.
Amy só balançou a cabeça.
- É aqui - Amy apontou para seu prédio, que já era naquela esquina.
- Então vamos.
Amy já sentia saudade da pensão, mas seu novo apartamento era exatamente do jeito que ela sempre quis que fosse : Uma escada estreita, cercada por flores, o hall de entrada com uma única cadeira envelhecida , de almofadas azuis celeste e um pequeno cacto, no canto da parede, ao lado da cadeira.
Porta Branca. Balcão ao lado esquerdo. Atrás do balcão sua cozinha organizadamente bagunçada, seu fogão e geladeira gordinhos e vermelhos. Na sala haviam movéis antigos, uma estante cheia de livros que a separava do quarto. A sala era aconchegante , uma grande televisão. Uma vitrola. Poltrona funda. Abajur. Cortina suace. Caixas, revistas , livros , anotações e bugigangas.
O quarto tinha uma cama grande, cheia de almofadas claras, contrastando com a parede preta que era aonde ficava a janela. Dois criados-mudos com abajures. Um baú na frente da cama. Escrivaninha. Varanda com uma cadeira de balanço. Banheiro com banheira. Closet. Seu gato Donahu em sua caminha de plumas. Telescópio. Um piano velho que Amy mal sabia tocar.Mais livros, mais bugigangas.
- É muito bonito- ele observara cada detalhe, atentamente, e Amy percebeu e gostou disso.
- Obrigada. Sente-se , eu não demoro.
Ele afundou no sofá. E esperou, ainda observando.
- E você ? Não faz muito tempo que se mudou para cá, não é ? - Ele gritava para que Amy pudesse ouvir através da estante coberta por livros. Engraçado que ele tentava achar uma brexa por entre eles, para conseguir espia-lá, mas não encontrou.
_ Pra esse apartamento, uma semana. Pra esse lugar, creio que um pouco mais de dois anos.
- Você não deve ter muitos laços por aqui.
- Ah é ? Como pode saber, espertinho ?
- Você não tem fotos, porta retratos, nem nada do tipo.
- Você é observador - Então Amy saiu de trás da estante, ela usava uma saia rodada vermelha (pra variar) , uma blusa preta discreta e cabelos presos em uma fita vermelha também, de tom mais claro que a saia, mas exatamente do mesmo tom que as sapatilhas - É que eu não gosto de pessoas.
- Temos isso em comum.
- Pronto, agora você não vai querer mais me levar pra cama, ótimo - Amy deu uma voltinha para Bernardo apreciar seu figurino. Que irônico, ele já havia reparado, e muito bem.
- Lolitas me arrepiam. - ele sorriu.
- Você não presta - Amy revirou os olhos.
- Parece que você já pensa ter intimidades comigo.
- Podemos ir ou não ?
- Claro, mocinha.




I WISH



É, a maioria das meninas querem muito uma festa de quinze anos.Algumas querem a festa completa clássica : quinze meninas, quinze meninos. Três vestidos.Príncipe.Valsa, e etc. Outras preferem uma baladinha, outras querem simplesmente uma festa ou reunir os amigos, ou sei lá, qualquer coisa do tipo.Eu queria muito uma festa de quinze anos, é , eu queria. Mas agora, eu já não me importo mais com ela. Eu trocaria a minha festa de debutante, pelos itens, ou por alguns dos itens desta lista. Ok, eu admito, eu não sou nem um pouco boba.
O único fundamento desse post, é só mostrar um pouco das minhas vontades. Não é uma lista de pedidos, de presentes, ou qualquer coisa assim.
SÓ Olhem e babem!


1°Essa camisa, muito linda *-*



2°
Não, eu não quero a Irlanda (mentira, eu quero). Só duas pasagens pra lá, no momento *-*

3°Sapato lindérrimo, preto e vermelho , anos 40 *-*



4°

De couro.Perfect.

5°Não é de emo, ok ?


6°

*-*s2


7°HSAUASHUAHAUSAH *-*


8°

Não essa exatamete, mas escura talvez, mas essa é linda *-*
9°

AIIN *-*
10°*3*




11°Preferido.


12°Oh Gosh *-*

13°*-*

14°

Não essa, em específico. Uma vitrola *-*

15°

Camiseta + Bolsa da Amelie.

16°

essa meia *-*

17°paramore's

18°



*3* de vinil.



POR ENQUANTO, esses.
aaaaaaaaaaaiin *---------------------------*

sexta-feira, agosto 20

As pessoas olhavam distorcidamente para Amy. Idosos cochichavam com outros idosos , sobre a nova geração desprezível e imoral, apontando nossa pobre garota como exemplo. Garotos inteligentes mas não nerdz, os nerdz que Amy adorava, e os que estavam ali só pra fazer pirraça, não tiravam os olhos dela. Meninas riam e comentavam. Amy era uma atração ambulante , sem querer.
Mas Amy nem estava se importando, ela só queria ficar ali e ler livros, os unicos que a compreendiam. Ela poderia ter posto uma roupa normal, já que ia para a biblioteca, e não para uma balada, para esquecer do namorado, mas Amy nunca foi uma pessoa normal. Normal era normal demais para Amy.
Uma das manias de Amy , era não conseguir se manter parada por muito tempo. Ela já tinha tentado todas as posições possíveis naquela cadeira, e não estava satisfeita, por isso Amy decidiu se levantar e buscar um café. A máquina de expresso não ficava muito longe, por sorte.
E aí vem mais uma cena de típica história de amor adolescente. Você se lembra, leitor, quando a mocinha derruba seus papéis no chão e o mocinho vai ajuda-lá, e no mesmo momento que ela vai pegar um determinado papel, ele também vai, e as mãos deles se tocam, e depois os olhares, entram em choque? Pois é , Amy se levantou espevitada , pegou seu café quente, e ao se virar, esbarrou em alguém, e todo o líquido, se espalhou , nos dois : nela e nele.
- Meu Deus, me desculpe! Eu sou tão distraída!
- Imagina, se você não tivesse derrubado café em mim, eu teria derrubado em você, ou em qualquer vítima desse lugar.
- Mas pera aí, eu também estou suja de café!
- Então estamos kitz !
E Amy só conseguiu sorrir. Mas pudera , ele tinha um cabelo bagunçado como Amy gostava, usava roupas retrô-contemporânea , sua pele caucasiana e sua voz , a derreteram. E nem era só físico, Amy sentia a estranha sensação de ter uma coisa estranha no ar, estranhamente estranha para Amy não notar.
Então ele estendeu a mão, depois dos segundos de comtemplamento silencioso :
- Me chamo Bernardo.
- Amy, prazer.
- Amy? Simples assim ? Amy ?
- É, ué. Você queria um nome sofisticado e complexo de se pronunciar ?
- Não, não queria. E é por isso que gostei do seu nome.
Ela sorriu tímida , uma outra vez.
- Ah, muito obrigada.
E uma outra vez , quando ele a olhou de cima a baixo, todos os cantos.
- Sua roupa é um pouco, muito inadequadamente provocante, sem querer ser indiscreto.
- Ah, eu devo ter uma boa explicação pra ela.
- Não precisa se explicar, com certeza eu sei que tem.
- A Única explicação é ser uma imatura , que gosta de inventar coisas para se desligar de sua realidade, que nem , é tão cruel assim, e mesmo se fosse, não me importaria.
- Oh, eu a admiro!
- Você nem me conhece!
- Já sei que você se chama Amy, que é imatura, que gosta de inventar coisas para se deligar de sua realidade que nem é tão cruel, mas se fosse, idaí ? Você não se importaria. E sei de mais uma coisa também, você é muito atraente.
- Eu deveria lhe dar um tapa.
- Se quiser. - Ele fez cara de pouco caso, e isso a irritou profundamente, mais irritante era o fato dela ter se irritado, fazer com que ela queira falar com ele mais um pouco. - Eu não ligo.
- Eu derrubei café em você , então perdoarei essa.
- Na verdade, que mulher não gosta de ser chamada de atraente ? Vocês até podem bater, mas por dentro, o ego de vocês só falta explodir.
- Seu problema é que você pensa que sabe muita coisa!
- E eu sei de muita coisa, mas não vem ao caso!

O diálogo familiar fez Amy congelar. Ou seria os olhos , uns dos outros, que se mantinham presos, mesmo sem olhar fixamente ? A estranha sensação estranha ? Ou só a irritação profunda combinada com a vontade de esbofetear a cara daquele estranho familiar, idiota ?
Amy ainda não sabia.



sexta-feira, agosto 13

Fazia muito tempo que Amy não se envolvia em um relacionamento de verdade. As vezes, ela acabava ficando com alguém que julgava ser interessante , e outros ela nem julgava, e nem eram, mas serviam para diversão. Amy não ligava muito pra sentimentos, ela não era de se apegar.Ela precisava de alguém muito bom, para se apegar. Ela tinha casos que duravam uma noite, uma semana, no máximo um mês e meio, e ela nunca ligava quando eles acabavam sem explicação ou então, ela mesmo acabava antes que seu relacionamento passasse a ser algo maior.
Quando não era ela que acabava, ela tinha apenas, dois minutos de surto, pós-termino de relação.
Ela era madura, equilibrada, nunca pirava.
Atualmente, Amy estava num relacionamento de duas semanas e meia com Jonathan Math , o rockeiro desocupado.
Ele era dono de um lounge , cujo único intuito era expor suas composições para um público rebelde, bêbado , e sem futuro. Mas ele era bom no que fazia.
Já faziam três meses que ele mantia a tradição de mandar um beijo pra ela, do palco, toda vez que acabava de cantar, nas três vezes por semana.
Amy gostava do modo que ele descrevia o cabelo dela.
Mas agora, Amy estava tendo uma discussão com seu namorado J.M. , uma típica discussão :
- Você não me liga. Você não liga, pra nada do que somos. Você está brincando de relacionamento, ou sei lá o que...Eu morro de desejo por você , e até agora, não transamos nenhuma vez e...
- Espera aí, o que ? Então você só está interessado no meu corpo, e é por isso que estamos terminando, não porque eu não dou valor a nossa relação!
- Eu não disse isso!
- Você está agindo como se eu fosse uma garotinha boba que não soubesse nada sobre homens e relacionamentos!
- Seu problema é que você pensa que sabe de tudo, Amy.
- Eu sei de muita coisa, mas não vem ao caso! Quem não quer nada agora, sou eu!
- Ótimo.
- Ó-timo.
E então ela bateu a porta do carro velho de John , e saiu do carro em direção a sua casa, como se estivesse dançando alegremente. Sorridente e livre novamente.
Amy entrou na prédio, distribuindo cumprimentos para todos que encontrava pelo caminho, como se tivesse sido um dia perfeito, subiu para o seu quarto, e pois seu vestido mais provocante.Ela nunca o usava. Ele parecia mais uma lingerie fantasiosa , do que um vestido. Suas coxas ficavam a mostra, alem do decote que realçava seu busto, que não era grande coisa.
Pois agora, Amy estava parecendo com uma garota de programa refinada , andando pelas ruas de Londres, contente e saltitante, em direção ao seu lugar predileto.
Engraçado como as atitudes mais maduras de Amy, soam ser as mais imaturas. Eu não entendo , e nem você deve entender, leitor, mas Amy entende, e é o suficiente. Mas mais engraçado ainda, é Amy estar desse jeito, sentada em uma mesa de biblioteca.