Passado dois dias da última vez que eles haviam se encontrado para ter uma noite de paixão, o telefone finalmente tocou.
- Alô ? - disse Amy suavemente
- Você precisava ver isso aqui.
Ela conhecia sua voz muito bem. Ela tremeu.
- Isso o que?
- Londres nunca teve um cinza tão brilhante como esse de hoje.
- AAH, isso eu poderia ver da minha janela, esqueceu que eu ainda estou em Londres ?
- Desculpa não ter ligado antes.
- Não se preocupe, nem deu pra sentir sua falta na correria desses dois dias.
MENTIRA. Amy tinha sentido e muita, mas ela nunca confessava. Ás vezes ela se perguntava se isso era a coisa mais certa a se fazer, vai ver que ele nunca se expressava porque ela não se permitia expressar.
- Correria ?
- Tinha umas coisas a fazer.
- Claro... quer sair amanhã ?
- Tenho planos para amanhã, desculpe.
- Que tipo de planos ?
- Vou sair com um amigo.
- Mas amanhã é terça feira!
- E daí? - ela aindava tentava ser fria para esconder sua frustração pela demora do telefonema.
- Você vai trabalhar na quarta, não deveria ficar até tarde fora de casa.
- E qual é a diferença de sair com ele ou com você ?
- Eu sempre te trago em casa ás 22h em dia de semana.
- Não será diferente com ele.
- Então tá - ele desistiu. E Amy odiava quando ele desistia.
Amy surprendentemente não estava se sentindo tentada a dispensar seu amigo por Bernardo, na verdade ela estava muito empolgada para sair com Peter, ela amava sua companhia doce e eles iam simplesmente andar pela cidade e comentar sobre as coisas que veriam.
- Tudo bem com você ? - Amy perguntou.
- Sim, e com você ? - ele prolongou o 'cê'.
- Tudo como sempre.
- Vou desligar. Se divirta amanhã.
- Vou me divertir - ela sorriu.
- Queria te contar uma coisa, na quinta eu passo por aí.
- Quando você vai vir definitivamente pra cá? Não ia ser nesse fim de semana ?
- Eu falo sobre isso também, na quinta.
- Está bem.
- Um beijo, amor.
- Beijo.
Puft. Desligado.
Amy suspirou e retomou o raciocínio , como de costume, Amy trabalhava em casa na segunda e só as terças ia para o escritório. Com o novo escritório teve que abandonar seu trabalho na floricultura, mas ela não o abandonou por completo, trabalhava lá toda quinta de manhã e tirava o resto do dia de folga de tudo.
Para evitar tantas indas e vindas e tantos gastos desnecessários, Bernardo ia se mudar para o quarteirão vizinho, para o apartamento de Amy, que passaria a ser deles. Apesar que agora suas visitas haviam diminuido significativamente. Não eram mais seis dias por semana e duas vezes ao dia, eram três dias, e uma vez só.