sexta-feira, agosto 20

As pessoas olhavam distorcidamente para Amy. Idosos cochichavam com outros idosos , sobre a nova geração desprezível e imoral, apontando nossa pobre garota como exemplo. Garotos inteligentes mas não nerdz, os nerdz que Amy adorava, e os que estavam ali só pra fazer pirraça, não tiravam os olhos dela. Meninas riam e comentavam. Amy era uma atração ambulante , sem querer.
Mas Amy nem estava se importando, ela só queria ficar ali e ler livros, os unicos que a compreendiam. Ela poderia ter posto uma roupa normal, já que ia para a biblioteca, e não para uma balada, para esquecer do namorado, mas Amy nunca foi uma pessoa normal. Normal era normal demais para Amy.
Uma das manias de Amy , era não conseguir se manter parada por muito tempo. Ela já tinha tentado todas as posições possíveis naquela cadeira, e não estava satisfeita, por isso Amy decidiu se levantar e buscar um café. A máquina de expresso não ficava muito longe, por sorte.
E aí vem mais uma cena de típica história de amor adolescente. Você se lembra, leitor, quando a mocinha derruba seus papéis no chão e o mocinho vai ajuda-lá, e no mesmo momento que ela vai pegar um determinado papel, ele também vai, e as mãos deles se tocam, e depois os olhares, entram em choque? Pois é , Amy se levantou espevitada , pegou seu café quente, e ao se virar, esbarrou em alguém, e todo o líquido, se espalhou , nos dois : nela e nele.
- Meu Deus, me desculpe! Eu sou tão distraída!
- Imagina, se você não tivesse derrubado café em mim, eu teria derrubado em você, ou em qualquer vítima desse lugar.
- Mas pera aí, eu também estou suja de café!
- Então estamos kitz !
E Amy só conseguiu sorrir. Mas pudera , ele tinha um cabelo bagunçado como Amy gostava, usava roupas retrô-contemporânea , sua pele caucasiana e sua voz , a derreteram. E nem era só físico, Amy sentia a estranha sensação de ter uma coisa estranha no ar, estranhamente estranha para Amy não notar.
Então ele estendeu a mão, depois dos segundos de comtemplamento silencioso :
- Me chamo Bernardo.
- Amy, prazer.
- Amy? Simples assim ? Amy ?
- É, ué. Você queria um nome sofisticado e complexo de se pronunciar ?
- Não, não queria. E é por isso que gostei do seu nome.
Ela sorriu tímida , uma outra vez.
- Ah, muito obrigada.
E uma outra vez , quando ele a olhou de cima a baixo, todos os cantos.
- Sua roupa é um pouco, muito inadequadamente provocante, sem querer ser indiscreto.
- Ah, eu devo ter uma boa explicação pra ela.
- Não precisa se explicar, com certeza eu sei que tem.
- A Única explicação é ser uma imatura , que gosta de inventar coisas para se desligar de sua realidade, que nem , é tão cruel assim, e mesmo se fosse, não me importaria.
- Oh, eu a admiro!
- Você nem me conhece!
- Já sei que você se chama Amy, que é imatura, que gosta de inventar coisas para se deligar de sua realidade que nem é tão cruel, mas se fosse, idaí ? Você não se importaria. E sei de mais uma coisa também, você é muito atraente.
- Eu deveria lhe dar um tapa.
- Se quiser. - Ele fez cara de pouco caso, e isso a irritou profundamente, mais irritante era o fato dela ter se irritado, fazer com que ela queira falar com ele mais um pouco. - Eu não ligo.
- Eu derrubei café em você , então perdoarei essa.
- Na verdade, que mulher não gosta de ser chamada de atraente ? Vocês até podem bater, mas por dentro, o ego de vocês só falta explodir.
- Seu problema é que você pensa que sabe muita coisa!
- E eu sei de muita coisa, mas não vem ao caso!

O diálogo familiar fez Amy congelar. Ou seria os olhos , uns dos outros, que se mantinham presos, mesmo sem olhar fixamente ? A estranha sensação estranha ? Ou só a irritação profunda combinada com a vontade de esbofetear a cara daquele estranho familiar, idiota ?
Amy ainda não sabia.