sexta-feira, setembro 3


- Que seja.
- Você trabalha aonde ?
- Em uma floricultura.
- Faz o que lá ?
- Arranjos, atendimento, cartões, de tudo um pouco.
- Cartões ?
- Deprimente, não é ?
Ele abaixou a cabeça. Amy deu de ombros.
- E o que você realmente queria ser ?
- Eu vou ter minha loja de moda.
- Loja de moda ?
- Vou vender moda para as pessoas ué, moda de todas as décadas, inovações e antiguidades.
- Certo.
- E você , faz o que ?
- Eu fotografo.
- De tudo ?
- Só coisas que valem a pena.
Amy não mostrou interesse. Olhou ao redor por um tempo, e só depois de um outro, que ela retomou a conversa. E eles conversaram sobre tudo. Cinema, música, obras de arte, lugares do mundo, refeições, manias, gostos.Fotografia e Arte.
E ele a levou pra casa depois. E ligou pra ela no dia seguinte. E continuo ligando. Se tornaram melhores amigos, e só ela era perfeita pra ele, e só ele era perfeito pra ela, mas se a vida fosse simples assim, todos nós estaríamos casados com nossos melhores amigos.
Amy se assustava com a idéia de ter um melhor amigo novamente. Mas ela não podia evitar.

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Eram dez da manhã quando Amy abriu os olhos. A noite tinha sido longa. Enrolada em seus lençois vermelhos de seda, ela ainda sentia a cabeça pesada. Olhou para o lado, e sorriu ao ver a expressão que Bernardo tinha ao dormir, depois do sorriso, o pensamento. Era costumeiro Amy se arrepender logo de manhã, depois de uma noite de amor com seu melhor amigo. Em geral ela sabia que ele devia estar muito carente, por isso a procurou, ou então era porque ambos estavam bêbados. Mas mesmo assim, Amy sempre cedia.
Levantou, vestiu uma camiseta velha de uma banda de rock noturno, que costumava a tocar em alguma esquina por aí, e usava as camisetas para divulgação. A camiseta ia até seus joelhos.Amarrou seu cabelo embaraçado pra cima.Olhou mas uma vez para Bernardo e foi preparar um café. Passados alguns minutos, ele se sentou na cama, sonolento.
- Minha cabeça - ele a segurava como se ela fosse cair.
- Bom dia ! - ela sorriu , enquanto servia duas xícaras de café forte.
- Bom dia. . . Como você está ?
- Estou bem e você ? - ela punha o açúcar agora.
- Bem...e a noite ?
- Ah, qual é? Sabe que não pode me perguntar isso! - ela sorriu já caminhando até ele , e ele riu. - Tome.
- Obrigada.
Ele deu duas goladas e meia, levantou em um salto, como se já estivesse recuperado, pois a roupa rapidamente.Amy ainda bebia seu café, sentada na cama.
- Querida, obrigada pelo café.
- Já vai ?
- Eu preciso.
- Você mal tomou seu café!
- Eu estou bem. Te ligo mais tarde!
E ele deu lhe um beijo na testa, e saiu , como se estivesse atrasado para um compromisso muito importante.
Amy permaneceu sentada. Sempre foi assim, ela já se acostumara.
Se levantou. Colocou as xícaras de café na pia. Ligou o rádio e foi tomar um banho, de banheira, para que o protocolo se cumprisse por completo.


quinta-feira, setembro 2