JÁ havia anoitecido quando Amy virava a esquina da rua de sua casa , o encontro com Lorena demorou um pouco mais que o esperado. Elas passaram o resto da manhã juntas na biblioteca, depois Lorena a arrastou para almoçar, e para ajuda-lá a escolher um vestido novo. Resultado : Amy teve um dia cheio de compromissos com a namorada de seu melhor amigo apaixonado , e ela não poderia sentir mais falsidade no ar do que já sentia, mas o que ela podia fazer ? Ela também estava sendo falsa, fingindo um sorriso a todo momento, ela não gostava desse tipo de programa, não se sentia a vontade, fazer o que.
Ao chegar em casa, Amy encontrou sua mãe ao telefone. Parecia uma adolescente , tagarelando com a amiga. As vezes, Amy se sentia mais madura que a própria mãe de quarenta anos. Engraçado como as coisas se contradiziam, nesse aspecto : Amy era tão menina , e tão mulher ao mesmo tempo.
Sua irmã já estava dormindo, milagre , não eram nem oito horas , ela deveria ter passado o dia pulando por aí. Amy foi até a cama da pequena Jane , e deu-lhe um beijo de boa noite na testa.
Então caminhou pelo corredor até seu quarto , Amy estava cansada. Sentou na cama e soltou alguns suspiros, mas logo já estava de pé. Ligou o chuveiro e foi olhar a janela , ela adorava fazer isso.
Começou a despir-se , lentamente, peça por peça : as meias três quartos de algodão , o jeans , o casaco , o cachecol , a blusã de lã... E quando Amy ia tirar, a penúltima blusa , sim , estava muito frio nesse dia, tipicamente frio, algo a parou. Um barulho vindo da sacada.
Ela paralizou. Não sabia quem poderia ser , um gato talvez, ou um passáro, ou só um galho. Mas poderia ser tambem um maníaco, um assaltante, um fugitivo... Como ela poderia saber ? Por isso aconteceu o seguinte : Paralização. Olhar superficial. Depois Amy pois o roupão , pegou a tesoura afiada que ela usava para desfiar suas roupas e seu cabelo de vez em quando e foi , calmamente , sorrateiramente, em direção a sacada.
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